As contas do governo central, que engloba Tesouro Nacional,
Banco Central e Previdência Social, registraram um rombo de R$ 22,4 bilhões em
agosto deste ano, informou o Tesouro nesta quinta-feira (5).
O resultado é 19,6 %, em termos reais (descontada a alta da
inflação no período), menor que o registrado no mesmo mês do ano passado,
quando o déficit primário foi de R$ 26,7 bilhões.
No acumulado do ano, de janeiro a agosto, o rombo chega a R$
99,9 bilhões, 9,1% menor em termos reais que o registrado no mesmo período de
2023, em que o valor ficou deficitário em R$ 105,8 bilhões.
Em doze meses, o resultado primário do governo central (até
ago/24) foi de déficit de R$ 227,5 bilhões, equivalente a 1,98% do PIB, segundo
o Tesouro Nacional.
No acumulado do ano, de janeiro a agosto, a receita total
apresentou elevação de R$ 140,3 bilhões (8,8%), enquanto a receita líquida
apresentou elevação de R$ 108,6 bilhões (8,4%) em termos reais se comparado ao
mesmo período do ano passado.
Segundo o Tesouro, a variação ocorreu principalmente pelo
efeito conjunto de IPI: aumento de R$ 14,3 bilhões; imposto sobre a renda:
aumento de R$ 43,8 bilhões; COFINS: aumento de R$ 42,1 bilhões; PIS/PASEP:
aumento de R$ 12,7 bilhões.
Despesas avançam
Mesmo com o esforço do governo para aumentar a arrecadação,
bloquear valores no orçamento para despesas que não tem obrigação de executar e
melhorar a infraestrutura pública para conter gastos, as despesas obrigatórias
continuam avançando.
Segundo o Tesouro Nacional, só em agosto de 2024, contra
mesmo mês de 2023, a despesa total apresentou aumento de R$ 3,3 bilhões (2%) em
termos reais. As principais variações foram: Benefícios Previdenciários:
aumento de R$ 2,6 bilhões e Abono e Seguro Desemprego: aumento de R$ 4,3
bilhões;
No acumulado jan-ago/2024, a despesa total apresentou
elevação de R$ 98,7 bilhões (7,1%) em termos reais frente ao acumulado
jan-ago/2023. O salto foi basicamente em benefícios previdenciários e
precatórios.
As principais variações foram: Benefícios Previdenciários:
aumento de R$ 21,5 bilhões; Benefícios de Prestação Continuada da LOAS/RMV:
aumento de R$ 10,4 bilhões; Créditos Extraordinários: aumento de R$ 11,1
bilhões; Sentenças Judiciais e Precatórios (Custeio e Capital): aumento de R$
12,9 bilhões; Despesas do Poder Executivo Sujeitas à Programação Financeira:
aumento de R$ 31,2 bilhões
O governo mantém a meta de zerar o déficit público, ou seja,
quando gasta o mesmo tanto que arrecada. O alvo do governo permite um rombo de até
0,25% do PIB, equivalente a R$ 28,8 bilhões ao fim do ano – o que tem sido
mirado pela equipe econômica.
No entanto, a programação orçamentária de 2024 prevê usar
todo o espaço da meta fiscal. Isso quer dizer que a equipe econômica
oficialmente não prevê mais entregar resultado zero.
Há ainda R$ 40,5 bilhões em gastos extraordinários que serão
ignorados da meta. Assim, o ano deve terminar com rombo de R$ 68,8 bilhões – ao
invés do déficit zero prometido.
CNN